sexta-feira, 12 de abril de 2013

MATEMÁTICA NO COTIDIANO: CONFLITOS E DESAFIOS

MATEMÁTICA NO COTIDIANO: CONFLITOS E DESAFIOS 


Luciene Maria da Silva 
Maria Cristiane de Lima 
Mauriety Rodrigues Oliveira 
Silvene de Fátima da Mota Souza
 
Esse texto narra a reflexão de um grupo de professores, preocupados com o ensino da matemática nas series iniciais. Quando se fala em matemática tem-se a idéia de um bicho de sete cabeças (de grandes problemas, dificuldades, conflitos e desafios).  Esta visão reforça o modo como a matemática
vem sendo trabalhada nas escolas. 
Na realidade, o ensino da matemática faz parte da nossa vida e nos auxiliam a resolver situações impostas pelo dia-dia.  Não é nova a idéia de que nossa vida é permeada pela matemática, pois vivemos fazendo cálculos. De acordo com Olga Guimarães Germano:
 
Quando acordamos, geralmente o nosso primeiro ato é ler as horas. Vivemos fazendo cálculos. Quantas medidas de café preciso colocar? Quanto tempo levo para chegar a escola? Quantas pessoas vêm a festa? De quantos salgadinhos vou precisar? Quanto vou gastar? Quanto mede o terreno? Qual a temperatura? Quem é maior?  (Germano 1999, p. 211).


E assim, vamos manifestando nossas idéias, não foi diferente com o nosso grupo de estudo, nos deparamos com a disciplina, encontramos dificuldades e muita duvida a cerca do conteúdo abordado: Grandezas e medidas.
Dessa forma partimos do princípio que a matemática nos oportuniza uma riqueza de informações tais como: trabalhar com materiais concretos, como rótulos e embalagens para a construção de um dicionário de matemática, onde podem ser explorados os diferentes tipos de medidas e grandezas, com diferentes objetivos, estimulando a coletividade e a troca de conhecimento na qual o professor deve reconhecer em seu aluno suas habilidades e expectativas, identificando nele suas motivações para, desta maneira, ajuda-lo a ampliá-las.
Concluindo esta etapa de estudo vimos que o conhecimento matemático, assim como outros conhecimentos científicos, deve contribuir para que o homem tenha uma melhor compreensão da sua realidade, portanto, deve criar condições para que o aluno reconheça sua capacidade de construir conhecimentos.


Referenciais Bibliográficos:
KLUSENER, R. Ler, escrever e compreender a matemática ao invés de tropeçar nos símbolos.  In.: NEVES, I. C., SOUZA, J. V., SCHAFFER, P. C. G., KLUSENER, R. Ler e escrever: compromisso de todas as áreas. 7 ed. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2006.
GERMANO, Olga Guimarães. Sabor e Saber: Matemática é vida. In.:Salto para o Futuro: Ensino Fundamental/ Secretaria de Educação a Distância. Brasília: Ministério da Educação, SEED, 1999.

MATEMÁTICA GEOMÉTRICA


O LÚDICO COMO MOTIVAÇÃO NAS AULAS DE MATEMÁTICA

O lúdico como motivação nas aulas de Matemática

Projetos Pedagógicos
As atividades lúdicas (jogos, brincadeiras, brinquedos...) devem ser vivenciadas pelos educadores. É um ingrediente indispensável no relacionamento entre as pessoas, bem como uma possibilidade para que afetividade, prazer, autoconhecimento, cooperação, autonomia, imaginação e criatividade cresçam, permitindo que o outro construa por meio da alegria e do prazer de querer fazer e construir.
Quando crianças ou jovens brincam, demonstram prazer e alegria em aprender. Eles têm oportunidade de lidar com suas energias em busca da satisfação de seus desejos. E a curiosidade que os move para participar da brincadeira é, em certo sentido, a mesma que move os cientistas em suas pesquisas. Dessa forma é desejável buscar conciliar a alegria da brincadeira com a aprendizagem escolar.
Caminhos de aprendizagem
Vale salientar que o aspecto afetivo se encontra implícito no próprio ato de jogar, uma vez que o elemento mais importante é o envolvimento do indivíduo que brinca.
Ensinar Matemática é desenvolver o raciocínio lógico, estimular o pensamento independente, a criatividade e a capacidade de resolver problemas. Nós, como educadores matemáticos, devemos procurar alternativas para aumentar a motivação para a aprendizagem, desenvolver a autoconfiança, a organização, a concentração, estimulando a socialização e aumentando as interações do indivíduo com outras pessoas.
O uso de jogos e curiosidades no ensino da Matemática tem o objetivo de fazer com que os alunos gostem de aprender essa disciplina, mudando a rotina da classe e despertando o interesse do aluno envolvido. A aprendizagem através de jogos, como dominó, quebra-cabeça, palavras cruzadas, memória e outros permite que o aluno faça da aprendizagem um processo interessante e divertido.

Analisando as possibilidades do jogo no ensino da Matemática, percebemos vários momentos em que crianças e jovens, de maneira geral, exercem atividades com jogos em seu dia a dia, fora das salas de aula. Muitos desses jogos culturais e espontâneos, apresentam impregnados de noções matemáticas que são simplesmente vivenciadas durante sua ação no jogo.
O desenvolvimento do projeto Matemática e ludicidade buscou envolver os educandos nas brincadeiras, jogos e desafios apresentados e construídos. Os vários conteúdos matemáticos trabalhados de forma lúdica e prazerosa com os alunos do Ensino Fundamental (6º ao 9º anos) do Colégio Municipal Aurelino José de Oliveira (Candiba, BA) tiveram grande relevância. Os alunos perceberam que é possível aprender Matemática de forma lúdica, recreativa e divertida, tendo maior aprendizagem em relação aos conteúdos estudados, bem como contribuindo para o aumento da criatividade, criticidade e inventividade no ensino da Matemática.
Sandra Alves de Oliveirapedagoga e especialista em Matemática e Estatística, professora no Departamento de Educação de Guanambi, BA, Uneb.

DINÂMICA DA MATEMÁTICA

AMPLIANDO OS HORIZONTES NA EJA

Ampliando os horizontes na EJA

Na Educação de Jovens e Adultos, o papel do professor é propor situações que levem o grupo a usar o que já sabe para aprender a linguagem e as propriedades matemáticas

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Foto: Marcelo Almeida
AGORA É DIFERENTE A aluna da EM Bairro Novo aprendeu a lidar com as operações matemáticas.
Fotos: Marcelo Almeida
Quando adentra a sala de aula, a turma dos anos iniciais do Ensino Fundamental da Educação de Jovens e Adultos (EJA) geralmente consegue fazer alguns cálculos e medições, embora ainda não domine os códigos matemáticos. "No dia a dia, eles fazem compras, usam transporte público e trabalham na construção civil e em outras áreas nas quais a Matemática está muito presente", explica Maria Amábile Mansutti, pedagoga do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec) e coautora da proposta curricular do Ministério da Educação (MEC) para o 1º segmento da EJA. Levar isso em conta antes de planejar as atividades da disciplina é fundamental para que todos os estudantes aprendam, de verdade, a lidar com os conceitos e generalizar os conhecimentos que possuem para empregá-los em outras situações. "É natural que eles encontrem dificuldades para verbalizar como chegaram ao resultado. Por isso mesmo, precisam de ajuda para analisar e sistematizar o que conhecem", diz Maria Amábile. O cálculo mental, que a maioria domina bem por usá-lo com frequência, é a estratégia que melhor ilustra essa delicada relação entre o saber formal e o não-formal. A maioria dos alunos não dá tanto valor a ele e almeja aprender a conta armada. De acordo com Priscila Monteiro, coordenadora de formação em Matemática da prefeitura de São Caetano do Sul, na Grande São Paulo, e selecionadora do Prêmio Victor Civita - Educador Nota 10, embora os professores não possam deixar de ensiná-la, precisam explicar ao grupo que são diversas as estratégias de cálculo válidas, entre elas, o cálculo mental.

Além desse cuidado, devem ser consideradas as situações didáticas para ensinar Matemática na EJA. Elas funcionam como faróis que sinalizam o que é fundamental explorar com os estudantes nos primeiros anos de escolaridade. Organizadas por Maria Amábile e Priscila a pedido de NOVA ESCOLA, elas estão detalhadas a seguir de modo a apresentar os conteúdos fundamentais e indicar quando e como trabalhar e os objetivos que a turma precisa alcançar.

1. Estratégias de cálculo
O que é Atividade que pede a resolução de um problema lançando mão de diferentes estratégias (cálculo mental, calculadora ou o algoritmo para obter resultados exatos ou estimados) e a identificação da situação em que é melhor usar cada uma delas. "Na maioria das vezes, o cálculo escrito é visto como mais verdadeiro e correto pelos estudantes", diz Maria Amábile. O desafio é fazer com que percebam que ele nem sempre é o melhor caminho (leia a sequência didática "Comparação de ofertas na EJA"). A grandeza de um número e a necessidade da operação são as variáveis que determinam o tipo de cálculo que deve ser usado.
Quando propor No mínimo, três vezes por semana, tanto em sequências didáticas específicas e atividades de sistematização, como no trabalho permanente, vinculado a outros conteúdos.
O que o aluno aprende A confiar no que pensa, ter segurança para usar os procedimentos matemáticos, desenvolver estratégias de cálculo e decidir, em situações diversas, pela mais eficaz. Ele também passa a refletir sobre os cálculos e dispor de meios de aproximação e controle dos resultados. Ao estimá-los, por exemplo, tem condições de corrigi-lo.

Foto: Marcelo Almeida
MOMENTO DE CONSTRUÇÃO Trabalhar questões que envolvem geometria na EJA é tão importante quanto ensinar à turma diversas estratégias de cálculo. Na EMEB Donald Savazoni, em Franco da Rocha, na Grande São Paulo, espaço e forma são o tema das aulas semanalmente. Uma das atividades é elaborar figuras geométricas com elásticos, pensando nos ângulos, vértices e lados.
2. Análise de figuras e corpos geométricos
O que é Trabalho que implica no reconhecimento das propriedades das formas e dos sólidos geométricos. Para conhecer as diferenças e as semelhanças entre as figuras geométricas, e como elas se relacionam e se agrupam, é importante colocar a turma para descrever, reproduzir, montar, identificar, explorar e reconhecer as diferentes formas planas e os sólidos geométricos que existem (leia a sequência didática "Cópia de figura na EJA"). Para isso, é preciso lançar mão de materiais diversos, como sólidos geométricos, figuras planas, papel quadriculado, régua, esquadro e compasso.
Quando propor Semanalmente, desde o início do ano, em sequências didáticas ou atividades específicas.
O que o aluno aprende A pensar de modo geométrico, ou seja, a se apoiar nas propriedades estudadas das formas e dos sólidos para antecipar relações não conhecidas. Além disso, passa a analisar e conhecer, cada vez com mais profundidade, as características de diversas figuras planas e não planas, a relacioná-las com outras e usá-las para resolver problemas geométricos. Outro ganho é incorporar a linguagem formal da Matemática a situações de comunicação.

3. Medição e comparação de unidades de medidas
O que é Situação que envolve medição efetiva e comparação e determinação de comprimentos, capacidades, pesos e durações. Os estudantes de EJA já sabem mensurar - fazem isso no trabalho, ao preparar uma receita culinária, confeccionar uma roupa, fabricar um móvel etc. Muitas vezes, as unidades de medida usadas por eles (como o alqueire, que varia de estado para estado) não são as convencionadas pelo Sistema Internacional de Unidades - por exemplo, o metro, o litro e a hora. Mesmo assim, devem ser aproveitadas em aula para ampliar a discussão de relações e equivalência. Nas atividades de medição efetiva, a turma precisa saber o que será mensurado, escolher o instrumento mais adequado para isso (trena e recipiente para líquido, entre outros) e decidir a unidade mais eficiente para expressar o resultado.
Quando propor Uma vez por semana, em sequências didáticas.
O que o aluno aprende A comparar grandezas da mesma natureza, utilizar diferentes métodos e sistemas de medição e lidar com eles.
Foto: Marcelo Almeida
COMUNICANDO OS RESULTADOS A linguagem matemática pode ser composta por diferentes tipos de registro, sejam eles orais ou escritos. É importante que os alunos da EJA aprendam a lidar com essa diversidade para expressar como os números e as operações aparecem no dia a dia e também para revelar a maneira como pensam e manipulam as informações - o que ajuda o professor a diagnosticar a aprendizagem. Na EM Bairro Novo, em Curitiba, uma das práticas é desafiar a turma a representar graficamente os dados de problemas.
4. Comunicação e sistematização
O que é Oportunidade de explorar os procedimentos e as formas de pensamento empregados na resolução de um determinado problema, sejam eles orais ou escritos. O importante nesse caso é garantir que a turma entenda a lógica dos registros. "A escrita matemática é um procedimento que se aprende. Os conhecimentos que usamos para pensar no resultado de uma conta são diferentes dos que usamos para escrevê-lo", destaca Maria Amábile. Esse tipo de trabalho é fundamental porque faz com que o estudante reflita, de forma mais elaborada, sobre o conhecimento que usou para resolver o problema. A prática também abrange atividades relacionadas à escrita e à leitura numérica, em que se interpreta e produz o sistema de numeração, ou seja, ela favorece o entendimento das regras que regem o sistema de numeração decimal. Os registros feitos durante o processo, mesmo sendo provisórios, devem ser estimulados. O importante é que retratem o que o adulto pensou. A cada conhecimento novo, uma sistematização coletiva deve ser proposta e registrada em cartazes.
Quando propor Regularmente, como uma etapa de todas as sequências e projetos didáticos.
O que o aluno aprende A comparar grandezas da mesma natureza e utilizar diferentes métodos e sistemas de medição e lidar com eles.
http://revistaescola.abril.com.br/matematica/pratica-pedagogica/ampliando-horizontes-eja-matematica-situacoes-didaticas-calculo-mental-conta-armada-518279.shtml